segunda-feira, 2 de novembro de 2009

AS DORES DAS PERDAS

Morte não é o contrário de vida, é apenas um dos aspectos dela. Opostos são nascer e morrer. A VIDA se faz desta seqüencia interminável de nascimento, morte e renascimento.
Apesar de sabermos que a única coisa certa na vida é que tudo que nasce, morre um dia, ainda sentimos, diante da morte, as emoções mais doloridas que podemos experimentar. Tememos o desconhecido, tememos a escuridão e a solidão, temos medo de sentir medo... Medo da morte de quem amamos, do abandono e da saudade que a ausência faz lembrar, da dor insuportável da separação e da perda!
Nossas células guardam a memória de todas as separações que vivemos ao longo da vida, nossa alma chora enquanto nosso ego se dilui quando voltamos a ser aquela criança que só é plena em simbiose com a mãe, na bem-aventurança oceânica do útero materno.
O parto é a primeira separação que experimentamos, quando nascemos para a vida externa estamos perdendo o paraíso da segurança e da união com a mãe. Nascemos dependentes dela para nossa sobrevivência e bem estar, a proximidade e o vínculo afetivo são a base de sustentação de todo o nosso desenvolvimento emocional. Transferiremos às nossas relações futuras os mesmos sentimentos, medos e expectativas que vivenciamos na conexão primordial com a nossa mãe. Separações graves no início da vida deixam sérias cicatrizes emocionais porque afetam profundamente esta conexão humana essencial que nos ensina que somos dignos de sermos amados. É o elo mãe-filho que nos ensina a amar.
Mas, naturalmente tem que haver as separações nos primeiros anos de vida, mães e filhos devem ter suas vidas independentes também uns dos outros para o crescimento e fortalecimento de ambos, e sem dúvida produzirão tristeza e dor. Mas as separações dentro do contexto de um relacionamento afetuoso e estável, dificilmente deixarão cicatrizes no cérebro das crianças. Mães que trabalham, viajam, estudam, podem estabelecer um relacionamento amoroso, confiante e harmonioso com seus filhos. Quando a separação põe em perigo aquela ligação primeira, torna-se difícil criar confiança, adquirir segurança e a convicção de que durante a nossa vida encontraremos – e merecemos encontrar – pessoas que satisfaçam as nossas necessidades. E quando essas primeiras conexões são instáveis, desfeitas ou mesmo prejudicadas, podemos transferir essa experiência para aquilo que esperamos dos nossos amigos, nossos filhos, nosso companheiro amoroso e até para sócios profissionais.
Se estamos sempre esperando o abandono, ficamos desesperados, sentimos que sem o outro, não somos nada, que sem o amor do outro, morreremos...
Se o que esperamos é a traição, vivemos procurando cada lapso, cada falha que nos comprove a certeza que não podemos mesmo confiar em ninguém.
Quando o que esperamos é a rejeição e a recusa, fazemos exigências excessivas, muitas vezes agressivas, com raiva antecipada por saber que não serão atendidas. Esperando o desapontamento, procuramos garantir que, mais cedo ou mais tarde, seremos mesmo desapontados.
Esta é a infeliz dinâmica da consciência quando tememos, o tempo todo, a perda e a separação. Estabelecemos ‘conexões iradas e ansiosas’ onde frequentemente acabamos provocando aquilo que tanto tememos. Afastamos as pessoas que amamos com a nossa dependência incômoda, cobranças excessivas, carências intermináveis. Com medo da separação, repetimos a nossa história num novo tempo, com novos personagens, num novo cenário, mas com o peso poderoso de um passado esquecido, porem presente na incontrolável ansiedade que é a ‘lembrança’ da perda.
A iminência da perda provoca ansiedade, mas a ansiedade contém a semente da esperança! Quando a perda parece permanente, entramos em desespero, experimentamos a dor e a depressão, nos sentimos abandonados e sozinhos, muitas vezes culpados, desamados, perdidos para sempre...
E é nessa depressão, nessa volta ao silêncio e à vacuidade do SER, que encontramos a grande chance de deixar morrer nossas iras e mágoas, nossas culpas e abandonos, nossas falsas carências de proteção e cuidados, a ilusão de completude através do outro. É a oportunidade de encontrar, no fundo do poço, a FONTE de água pura que sacia e alimenta nossa ALMA, a fonte do AMOR pessoal que faz renascer a cada dia, a ESPERANÇA que sustenta a VIDA, transformando a MORTE em importante PORTAL para o próprio RENASCIMENTO. Desta vez, sendo a MÃE amorosa e generosa de sua CRIANÇA imortal.

2 comentários:

  1. Navegando sem ruma com a intenção de divulgar o meu blog, cheguei até você e gostei do que vi, tanto que pretendo voltar mais vezes. No momento estou impedida de fazer leituras muito extensas, pois a claridade da tela do computador está prejudicando um pouco a minha visão, devo tomar cuidado. Em breve resolverei esse problema. Bem, já que estou aqui aproveito para convidar a conhecer FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... em http://www.silnunesprof.blogspot.com
    Se gostar, siga-me.
    Por hoje fico por aqui, Espero nos tornarmos bons amigos.
    Que a PAZ e o BEM te acompanhem sempre.
    Saudações Florestais !

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  2. Obrigada por sua gentil visita e por palavras tão carinhosas a cerca de meu trabalho.
    Voltarei sempre que a minha conexão me permitir abrir as páginas (rs).
    FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... deseja um bom fibal de semana.
    Saudações Florestais !

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